quarta-feira, 20 de abril de 2011

Momento de paz.

Postado por textosdaleka às 11:13 0 comentários
Há lugares que gostaríamos muito de estar num momento de fúria, tristeza ou mágoa. Seja este lugar um jardim magnífico, um castelo de cristal ou uma clareira que dê para ver o pôr do sol sentado em cima de uma grande rocha. Toda pessoa, ou quase todas as pessoas tem essas vontades de sumir, ir para um lugar distante e ficar sozinhas consigo mesmas, refletindo sobre a vida. Confesso a vocês que também sou assim, sempre que estou triste, furiosa ou magoada, viajo para um lugar secreto, mas que agora não vai ser secreto.

Peço a todos vocês que não contem este segredo para ninguém, ou se quiserem podem contar, não há problema nenhum, a única coisa que peço é que só contem para as pessoas que realmente precisarem. Como irão saber se precisam? Eu não faço a menor idéia, seu coração lhe dirá. Agora irei lhes dizer que lugar magnífico é este.

Este lugar magnífico e perfeito é aquele que está em sua mente, este é o segredo. Não compreende? Faça uma pausa de poucos minutos, imagine um lugar que você está em paz, um lugar que lhe deixa feliz e alegre, um lugar que te faça bem. Agora se imagine caminhando ou correndo por este lugar, com um sorriso nos lábios e sentindo o vento tocar-lhe na face. A paisagem? A paisagem é aquela que você mais gosta.

Pode ser um pequeno rio, límpido como o céu, um rio raso que de para ver peixes coloridos, em volta só grama e árvores. Perto do rio um balanço pendurado em uma árvore esplêndida com folhas douradas por causa do sol, um balanço em que você pode se sentar e se balançar para frente e para trás, sentindo o leve vendo acariciar teu rosto e balançar teus cabelos.

Imagine-se num caminho por entre árvores coloridas e bastante altas, algumas flores rosas, folhas vermelhas e amareladas caem em suas cabeças. Agora, você está caminhando lentamente sentindo uma brisa gélida, provocando uma sensação boa de frio, até que quando você menos percebe o caminho acaba, só tem árvores e parece que por entre as folhas ecoa um som, um som calmo e tranqüilizante de uma cachoeira.

Uma cachoeira límpida e cristalina onde passa um arco-íris, você acaba adorando e senta sobre a grama verde, molhada e macia. Passam alguns minutos até que você finalmente decide e acaba tomando um banho de cachoeira, quando nota percebe que já chegou o pôr do sol e finalmente sai da cachoeira. Percebe também que ao redor há algumas árvores frutíferas e resolve comer algo.

Finalmente anoitece, o céu está estrelado e a lua é refletida na água, que naquele momento estava calma. Você está deitado, sentindo novamente o vento tocar seu rosto, e você percebe vaga-lumes, belos vaga-lumes pelo céu, deixando aquela paisagem ainda mais bonita. Você acaba adormecendo.

Resumindo: você pode imaginar qualquer lugar, qualquer lugar perfeito que você gostaria de estar, basta apenas imaginar aquele lugar lindo que lhe deixe em paz. Ou então, basta mentalizar a imagem de Jesus Cristo, aquele que morreu por nós, na minha sincera opinião tudo nele traz uma imensa paz de espírito.

Para terminar, quero lhes dizer que espero ter ajudado em alguma coisa. E se vocês já conheciam este segredo, peço desculpas se os decepcionei. Só vim lhes dizer isto e lhes desejar uma ótima semana, que Deus esteja com vocês.

domingo, 10 de abril de 2011

Carta para um amigo.

Postado por textosdaleka às 10:14 0 comentários

Sinto saudade.

Querido amigo venho por meio desta carta para lhe dizer que sinto muitas saudades. Sinto tantas saudades de quando ficávamos na varanda de sua casa tomando chá e comendo biscoitos, observando o pôr do sol e conversando sobre suas músicas. Lembro de quando você tentava conversar comigo sobre meus textos, entretanto te impedia de dizer qualquer coisa, você não entendia porque eu não gostava de qualquer elogio. Também sinto saudades de quando o tempo estava chuvoso. Ficávamos sentados num pequeno espaço claro com algumas plantas, nos sentávamos naquela mesinha branca que ficava no canto da sala. Lembra que ficávamos conversando sobre qualquer coisa e comendo bolinhos?

Sinto saudades de quando caminhávamos pelo bosque em todas as tardes de primavera. O sol se escondia no horizonte e ambos caminhávamos lado a lado, eu tocava naquele mato alto que vinha até nosso quadril, você observava o céu sendo levemente tingido por uma cor alaranjada. Queria saber se você também sente saudades de tudo isso. Você sente saudades? Sente saudades de mim? Não preciso dizer nada, pois você sabe que eu também sinto. É lamentável, tive que partir e te deixei.

Peço desculpas! Sabe que eu tive que partir para ajudar pessoas que eu gosto muito. Prometo que quando puder, voltarei. E junto levarei meu amor que tanto pediste para conhecer. Espero voltar em breve para que possamos voltar a fazer tudo isso juntos. Também levarei comigo aquela pessoa da qual me falou.

Saudades de ti meu caro amigo, peço que me espere.

Beijos te quero.
Assinado: Sua amiga.

sábado, 26 de março de 2011

Falando com a lua.

Postado por textosdaleka às 22:42 0 comentários

I know you're somewhere out there
Somewhere far away
I want you back
I want you back
My neighbors think
I'm crazy
But they don't understand
You're all I have
You're all I have

Abriu as janelas, o vento gélido da noite tocava-lhe delicadamente no rosto, sentou no parapeito da janela e ajeitou seu pequeno bloco em suas pernas. Olhou rapidamente para a lua e pegou em sua caneta, naquele bloco ela escrevia todos os seus pensamentos, era como um diário só que diferente. Folheou algumas páginas e finalmente chegou numa em branco, começou a escrever. Pensou em escrever sobre coisas alegres, entretanto não podia naquele estado, estava triste. Decidiu então escrever sobre aquilo que a entristecia.

“Sei que está em algum lugar lá fora, bem longe de mim. Prometeu que nunca me abandonaria e nunca me deixaria triste, está quebrando essa promessa. Não vê? Você não vê que está me fazendo mal? Eu quero você de volta, quero agora!”.

Parou de escrever por um momento, observou as estrelas e olhou para a lua. A lua era sua “única amiga”, podia conversar com ela, estava sempre pronta para escutá-la. Sabia que era bobeira, entretanto ainda assim conversava com a lua. Ainda observava a lua quando uma lágrima teimosa escorreu de seus olhos, a secou. Em seguida olhou novamente para o caderno e voltou a escrever.

“Meus vizinhos acham que eu estou enlouquecendo. Eles não entendem, não entendem que tudo o que eu tinha, tudo o que eu tinha era você. Sinto sua falta, preciso de você aqui e agora...”.

At night when the stars
light up my room
I sit by myself
Talking to the Moon
Try to get to You
In hopes you're on
the other side
Talking to me too
Or am I a fool
who sits alone
Talking to the moon

Fez uma pequena pausa, aquela posição a incomodava. Era um pouco complicado se equilibrar no parapeito de uma janela e escrever com letras belas para que pudesse entender depois. Em alguns momentos tinha a impressão que iria cair. Decidiu se levantar e correu pelo quarto e logo acendeu a luz, finalmente deitou de bruços em sua cama voltando a escrever.

“Preciso te contar uma coisa! Preciso te contar que quando as estrelas aparecem no céu, iluminando meu quarto, eu me sento sozinha e converso com a lua, tentando chegar até você, na esperança de que esteja do outro lado falando comigo também. Deve estar pensando que sou uma tola que se senta sozinha conversando com a lua.”

I'm feeling like I'm famous
The talk of the town
They say
I've gone mad
Yeah, I've gone mad

Parou novamente de escrever, deu mais um longo suspiro. Ouviu algumas crianças brincando e outras que deveriam se afastar do portão de sua casa, pois ela estava maluca. Às vezes ela se sentia como se estivesse ficando famosa todos daquele bairro falavam dela.

“Acho que estou ficando famosa, todos os vizinhos estão falando de mim, até as crianças. Eles dizem que estou louca, por me sentar sozinha e conversar com a lua.”

Soltou a caneta, virou o corpo de modo um tanto brusco e ficou com a barriga para cima, fitou o teto. Mais lágrimas teimosas escorriam de seus olhos, doía tanto pensar nele, doía tanto ainda amá-lo, doía tanto viver sem ele. Havia a deixado muito magoada, e ainda assim ela o amava. Virou novamente, ficando de bruços e mais lágrimas saíam deixando seu lençol levemente úmido.

Do you ever hear me calling?
Cause every night
I'm talking to the moon
Still trying to get to you

In hopes you're on
the other side
Talking to me too
Or am I a fool
who sits alone
Talking to the moon

“Me responda, por favor: você já me ouviu chamando? Porque todas as noites eu falo com a lua tentando novamente chegar até você na esperança de que você esteja do outro lado falando comigo também. Sei que sou uma tola que fica sentada sozinha falando com a lua, mas é a única coisa que eu posso fazer para tentar chegar até você.”

Em um momento de repulsa, jogou o bloco e a caneta longe, parecendo uma criança, voltou a chorar. Pegou um travesseiro e se abraçou a ele. Pensava em muitas coisas ao mesmo tempo, pensava o quanto o amava, pensava o quanto estava sendo tola por escrever tudo aquilo, pensava que parecia uma criança escrevendo num diário, pensava que não adiantava nada escrever naquele bloco.

Pensava também no quanto parecia boba, e louca para os vizinhos, ficar sentada conversando com a lua e tentando chegar até ele. Aquilo não mudaria nada, aquilo não faria com que ele voltasse, aquilo não fazia com que alguém a ajudasse. Aquilo não adiantava, aquilo não adiantava foi a última coisa em que ela pensou antes de pegar no sono.

E de algum modo, aquilo realmente a ajudou. Ainda era de manhã quando ele entrou em sua casa, ainda tinha as chaves, entrou só para deixar uma pequena carta com um pedido de desculpas por tudo o que ele havia feito, escreveu a carta porque não teria coragem de lhe dizer pessoalmente.

Entrou silenciosamente no quarto e a viu dormindo ainda abraçada no travesseiro. Também viu, em cima de um tapete, o bloco em que ela escrevia. Com uma grande curiosidade, pegou o bloco e o leu. Logo após deu um pequeno sorriso e sentou-se ao lado da cama, onde podia acariciar os cabelos macios e sedosos de sua amada. Acabou adormecendo naquela posição.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Me desculpem, por favor!

Postado por textosdaleka às 17:11 0 comentários
Eu nem tinha me dado conta de como o tempo passou rápido! Estou há tanto tempo sem escrever um texto, só tenho escrevido no meu pequeno diário (infantilidade? talvez), a escola está me ocupando demais! Não é só a escola, são várias outras coisas, então eu quase não tenho tempo de digitar nada e quando tenho tempo, não tenho inspiração. Aí fica complicado!

Então, vim aqui só pra pedir desculpas e agora, nesse final de semana, prometo presentear vocês com três textos pra recuperar o dia perdido. Prometo começar por hoje mesmo. Espero que entendam o motivo de não ter postado nenhum texto novo. E como disse antes: vou tentar escrever três textos nesse final de semana, vou fazer de tudo para que consiga.

Bom, é só isso. Espero realmente que entendam. Beijos pra todos vocês!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sempre ao seu lado.

Postado por textosdaleka às 08:51 0 comentários
Obs.: Não escrevi esse texto com o propósito de gerar discussões sobre religião. Peço que não me critiquem. Obrigada!
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A música mais bela que eu já tinha escutado tocava ao fundo, meu pai segurava um de meus braços e eu podia sentir o nervosismo. As grandes portas se abriram, aquela igreja estava muito bela com aquele grande tapete vermelho e flores ao lado do banco. Pequenas crianças entraram com belos vestidos e jogavam flores no chão, davam passos pequenos e demasiado lentos. Minhas duas melhores amigas estavam ao meu lado, esperando as belas crianças chegarem ao fim para finalmente entrarem lentamente.

Eu podia ver uma delas quase chorando de emoção, só que infelizmente ela se negava a chorar, achava que isso era para fracos e queria provar a todo o momento que era forte como uma pedra. Usavam vestido roxo e abaixo do joelho com um pequeno decote em V, começaram a "desfilar" por aquele longo tapete vermelho.

Logo terminaram e finalmente começou tocar a minha música. Entrei junto de meu pai, dava passos lentos numa tentativa de acompanhar a música. Podia ver as pessoas ali sorrindo felizes por mim, algumas mulheres choravam, enquanto os homens diziam que aquilo era pura bobeira, embora poucas lágrimas teimassem em sair de seus olhos. Finalmente cheguei ao fim daquele tapete e meu pai me entregou ao homem de minha vida. Ele estava tão belo de smooking... E finalmente o padre começou a cerimônia.

Não durou muito tempo, o idoso homem dizia algumas palavras, eu tentava ouvi-las, mas só ouvia algumas pessoas falando que ele usava uma peruca. Não demorou muito e eu já havia dado uma pequena risada que graças aos céus ninguém percebeu. Após alguns minutos aquele Senhor idoso nos olhou com doçura e perguntou se ambos nos aceitavam como legítimos esposos. Em seguida anunciou que ele finalmente podia me beijar. Ele levantou meu véu delicadamente e deu um beijo suave em meus lábios. Saímos da Igreja, as pessoas jovagam alguns grãos de arroz em cima de nós dois. Eu estava feliz, mais feliz do que se pode imaginar.

Entramos no carro e fomos até o salão de festa que estava na outra esquina. Eu recebia parabéns e pessoas que me desejavam felicidades. Comíamos, dançávamos e nos divertíamos. Havia notado que minhas melhores amigas haviam sumido e quando menos se esperava as luzes se apagaram e um telão apareceu descendo do teto. Um fio de luz iluminava uma porta e de lá saíram elas, passaram algumas fotos no telão, vídeos de quando éramos adolescentes e tocava uma bela música que falava sobre amizade. No fim, as duas pegaram um microfone para cada e um pedaço de papel. Ambas começaram a dizer belas palavras, palavras que nunca havia ouvido de nenhuma delas. Palavras que nunca ninguém ousou em dizer para mim. Palavras que me deixaram mais emocionada do que eu já estava.

Acabaram e me deram um longo abraço, desejaram toda a felicidade deste mundo, pois eu merecia. O tempo passou rápido, muito rápido e logo todos estávamos cansados. Parti o grande bolo e nos despedimos. Entrei num carro elegante ao lado de meu marido, fomos para a auto-estrada para chegar logo no aeroporto e pegar nosso avião para França. Só que já era de madrugada, não havia ninguém na estrada. Até que num piscar de olhos surgiu um caminhão em alta velocidade e nos atingiu em cheio. A última coisa de que me lembro eram as sirenes, pessoas ao meu redor e alguns bombeiros dizendo que meu marido havia ficado preso nas ferragens com alguns ossos quebrados e uma grave hemorragia interna. Minha vista escureceu rapidamente e eu não me lembro de mais nada.

Acordei em uma cama macia e confortável, o quarto era branco e ouvia alguns barulhos de aparelho, minha visão ainda estava embaçada. Logo minha visão melhorou e podia enxergar alguns balões coloridos, flores nas janelas e ursos de pelúcia espalhados pelo quarto, o que mais me chamou a atenção era um grande cachorro de pelúcia no canto daquela sala. Ouvi a porta se abrir lentamente, olhei para uma mulher vestida toda de branco, usava um coque ajeitado e quase nenhuma maquiagem.

Ela caminhou lentamente até mim e perguntou se eu estava bem. Contei que sentia um pouco de dor de cabeça, entretanto não era algo tão grave. Perguntei se havia alguém de minha família ali presente, aquela jovem moça disse que só estava uma mulher que estava há uma semana na sala de espera, perguntando por mim. A jovem moça saiu do quarto, ouvi vozes do lado de fora e logo entraram duas pessoas, um homem e uma de minhas melhores amigas.

Estava com profundas olheiras, sinal de que quase não dormia, um copo de café na mão e um pequeno sorriso de alívio. Caminhou até mim e beijou minha testa, logo apertou minha mão e se sentou ao meu lado.

- Graças aos céus que você acordou! - disse ela. - Estava tão preocupada com você, Lúcia. - continuou. Eu sorri e segurei sua mão firmemente. Gostava tanto da companhia dela, sempre esteve ao meu lado, mesmo quando brigávamos.

- Você está péssima Adriana. - eu disse com um sorriso, ela riu. Logo lembrei do acidente. - Onde está Paulo? - logo o sorriso dela desapareceu.

- Não creio que possa dizer algo para você. - ela fitou meus olhos, fiquei olhando para ela tentando obter alguma resposta. - Tudo bem, eu digo, mas a situação não é a das melhores. Paulo perdeu muito sangue e está em coma, seu estado é grave, entretanto ainda conseguem mantê-lo vivo de alguma forma. - disse ela abaixando o olhar. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Aconteceu tudo tão rápido, logo no momento mais feliz de minha vida...

Após uma semana recebi alta, fui morar no apartamento o qual havíamos comprado para morarmos. O tempo passou e não havia nenhuma melhora no estado de saúde de Paulo. Minha melhor amiga tentava me distrair, tentava me fazer sorrir, eu sorria. Entretanto, não conseguia deixar de demonstrar minha preocupação e meu princípio de depressão.

Ela vinha até minha casa e me contava às coisas que haviam acontecido enquanto eu ainda estava de recuperação no hospital. Descobri que o belo rapaz era um novo amigo, ele era médico que trabalhava naquele hospital e fazia de tudo para que minha amiga fosse dormir em casa, mas nada naquele mundo fazia ela sair daquele hospital. Contou que uma grande amiga nossa havia morrido e que minha outra melhor amiga havia viajado para o sul, assistir ao velório de sua avó...

E foi assim que as semanas se passaram. Até que em uma bela noite acordei de madrugada para fazer um lanche, e vi Paulo no meio da sala próximo a cozinha observando os quadros pendurados na parede.

- Paulo! - eu gritei, ele rapidamente olhou para mim e abriu seus braços. Corri para lhe dar um abraço e passei por seu corpo, batendo de cara na parede. Minha testa estava dolorida e eu não estava entendendo nada. Recompus-me e olhei para ele imóvel. Tentei tocar seu rosto só que meus dedos penetraram em sua pele. Não era possível! Como ele podia ser um fantasma se estava vivo.

- Lúcia. - disse ele. - Não sei o que está acontecendo. Num momento estava tudo escuro e de repente acordei aqui. - ele continuou, tentou se aproximar de mim, com receio, recuei. - Luca, por favor, me ajuda! - aquele era definitivamente o Paulo, me chamava de Luca sempre quando eu estava assustada, com medo.

Desesperada, liguei para Adriana e lhe contei o que estava acontecendo. Ela disse que às vezes quando as pessoas estão em coma o espírito se desliga do corpo, percebe tudo o que acontece em sua volta e às vezes são levados para alguns lugares em forma de aprendizado. Eu ainda estava muito assustada com aquilo tudo, nunca havia acreditado que era possível e naquele momento percebi que existem coisas que nem imaginamos. Sentei no sofá, Paulo veio e sentou-se junto de mim. Comecei a fazer algumas perguntas, quando pude perceber já estávamos conversando...

O tempo passou. Havia me acostumado com o estado em que Paulo estava. Ficávamos sentados um do lado do outro, conversando sobre algumas coisas, coisas inúteis e que ainda assim teimávamos em conversar. Ficava madrugada adentro conversando com ele, não sentia necessidade de beijá-lo, muito menos de tocá-lo, só a presença dele era suportável. De manhã ia até a casa de Adriana conversar com ela, contar tudo o que havíamos conversado durante a madrugada. Eu sabia que Adriana era a única que não iria rir de mim e era a única em que eu podia confiar minha conversar com Paulo.

Até que em uma noite, enquanto tomava meu banho senti algo sendo roubado de mim, nenhum bem material, e sim algo que estava dentro de meu coração. No momento nem dei importância, saí do banho e me arrumei sentindo aquela tristeza inexplicável. Sentei no sofá e fiquei esperando Paulo aparecer para conversar. Esperei alguns minutos, ainda não havia aparecido. Esperei algumas horas, ainda não havia aparecido. Estava ficando com medo e assustada. Até que eu recebo uma ligação.

- É da casa da Sra. Lúcia? - perguntou uma voz fina e leve. - Preciso lhe informar sobre Paulo. - continuou. - Antes preciso que a Senhora sente em seu sofá. - eu já estava ficando com medo, além do medo sentia uma leve pontada de esperança, avisei que já havia sentado, embora fosse mentira. - Sinto lhe informar, mas seu marido faleceu há algumas horas. - terminou.

Naquele momento minhas pernas falharam e eu caí sentada, minha respiração estava acelerada, minha vista escurecia e lágrimas infinitas escorriam de meus olhos. Eu não podia acreditar no que estava acontecendo. Não, não podia. Aquilo não podia ser verdade. Ouvi batidas em minha porta, estava tão desesperada que não conseguia dizer nada, a porta se abriu e pude sentir uma pessoa se ajoelhar ao meu lado e me abraçar, me consolando.

Chorava desesperadamente, meu coração doía muito. Até que em algum momento, jurava ter ouvido a voz de Paulo bem longe me dizendo: "Sempre estarei ao seu lado". E naquele momento pareceu que tudo havia se acalmado, rapidamente caí no sono nos braços de Adriana. E dormi, dormi como nunca.


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Adriana levou Lúcia até sua cama, pegou alguns lençóis e dormiu. Aquela noite havia sido horrível. Acordou de manhã com lágrimas teimosas saindo de seus olhos. Viu Adriana dormindo no sofá desconfortavelmente. Tomou um banho, ainda estava em lágrimas. Quando foi escovar seus dentes, sentiu um enjôo forte, uma vontade de vomitar incontrolável.

Após alguns meses descobriu que estava grávida de Paulo. Pouco antes de seu casamento, haviam tido uma relação sexual. Esperava um filho de Paulo, um fruto do amor dos dois. Uma criança que iria amar com todas as suas forças e se recordou das últimas palavras de Paulo "Sempre estarei ao seu lado" e realmente estava cumprindo sua promessa com aquela criança que estava por vir.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Amor no Japão.

Postado por textosdaleka às 14:49 1 comentários
Estava sentada debaixo daquela linda árvore, sentia algumas pétalas da flor de cerejeira caindo sobre meu ombro e me provocando pequenas cócegas. Fitava o céu recebendo alguns tons de laranja que se mesclavam com o azul demoradamente, adorava ver o pôr do sol. Era realmente uma cena graciosa. Eu havia acabado de sair de um pequeno curso, estudava de manhã e fazia curso de informática à tarde, e como todas as tardes, eu entrava na primeira rua à direita onde se localizava uma praça que era dividida por um rio, em seguida atravessava uma ponte que dava até o outro lado e me sentava na grama, bem debaixo daquela árvore para observar o pôr do sol.

Passaram poucos minutos, ainda eram 17:45 quando meu melhor amigo veio e sentou-se ao meu lado, sempre fazíamos aquilo. Ficávamos até de noite e em seguida íamos até um restaurante comer Sushi junto com alguns amigos da escola. Ficamos cinco minutos em pleno silêncio, era realmente estranho vê-lo em silêncio, sempre foi um rapaz que vivia falando, pelo menos com seus amigos íntimos...

Eu olhava para ele, seus olhos levemente puxados fitavam o céu, sua pele amarelada adquiria um tom alaranjado e seus cabelos negros balançavam de acordo com o vento. Ele percebeu que eu o fitava, parecia mais hipnotizada ao reparar o quanto ele estava bonito naquele dia, quando me fitou bem no fundo dos meus olhos senti minhas bochechas arderem, sorriu. Certamente minhas bochechas ficaram coradas. Ele logo ficou triste, fiquei preocupada e perguntei o que estava acontecendo, ele apenas me olhou novamente, suspirou e respondeu.

- Hikari, o que você faria se estivesse apaixonada por seu melhor amigo? – naquele momento eu havia sido pega de surpresa, ele nunca havia feito aquele tipo de pergunta, certamente ele estava apaixonado por alguma menina, isso eu tinha certeza.

- Sinceramente, eu não sei o que faria Hachiro. Acho que me declarava pra ele. – eu finalmente disse, ele apenas assentiu e voltou a fitar o céu. Assim que o mesmo já estava completamente escuro, caminhamos lentamente até o restaurante onde alguns amigos nos esperavam. Terminamos de jantar e fomos cada um para sua casa.

No dia seguinte, ele havia chegado na mesma hora. Fitava o céu do mesmo jeito que no dia anterior e eu jurava que podia sentir seu coração acelerando a cada momento, até pensei que a qualquer momento ele tivesse um ataque cardíaco. Ele me olhou nos olhos, parecia que seu olhar atravessava minha alma.

- Hikari. – disse ele carinhosamente passando seu polegar em meu rosto. – Eu estou apaixonado por você. Sei que você nunca irá sentir isso por mim, mas eu vou continuar sentindo isso dentro de mim. – ele finalmente terminou.

Naquele momento eu havia perdido todos os sentidos, parecia que estava flutuando, não existia mais chão. Minha respiração estava fraca e meu coração estava batendo tão rápido. Eu estava sentindo algo que nunca havia sentido, era estranho, novo e bom. Percebi que ele havia dado um pequeno sorriso e se levantou para ir embora, rapidamente me levantei e segurei em seu braço. Ele olhou para mim, seus olhos brilhavam como as estrelas, ou talvez mais.

Botou suas mãos em minha cintura e começou a se aproximar lentamente, senti sua respiração se mesclando com a minha e vi seus olhos se fechando lentamente, assim como os meus se fecharam, até que finalmente senti seus lábios tocando os meus, não fazia idéia o quanto seus lábios eram macios e doce. Uma sensação que eu queria ter todos os dias...

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Dicionário:

Hikari - Nome de origem japonesa que significa feminino de Hikaru, significando luminosa ou brilhante.

Hachiro - Nome de origem japonesa que significa oitavo filho.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Seu amor.

Postado por textosdaleka às 12:13 0 comentários

Nunca pensou em namorar, sempre foi inteligente o bastante para antes dar importância aos estudos e garantir seu futuro, embora no fundo isso a deprimisse por dentro, pois todas as suas amigas tinham namorados e estavam muito felizes ao lado de pessoas em que podiam compartilhar seus sonhos. Com ela era tudo diferente, nenhum garoto se aproximava dela, devia ser pelo fato de ser muito tímida e inteligente, isso afastava os pretendentes. Ou talvez devia ser porque ela era a "mais difícil" de todas e nenhum gostava de desafios, e aquilo era um desafio mesmo. 


Entretanto isso nunca fez com que ela mudasse, afinal iria ter tempo o bastante para poder encontrar alguém que realmente a ame, bom era isso que ela pensava. Só que um dia ela pensou que talvez não fosse viver até lá, quase se entregou, até que um dia apareceu alguém. Alguém que talvez nunca iria conhecê-la, pois morava em outro país, mas ainda assim ele era a pessoa que ela se entregaria, uma pessoa que ela daria tudo para vê-la feliz, uma pessoa que ela sabia que nunca iria amá-la e ainda assim viveria feliz só por saber que essa pessoa estaria respirando.


E foi essa pessoa que trouxe a felicidade para sua vida, foi essa pessoa que a deixou mais madura, foi essa pessoa que mostrou que qualquer um pode escrever coisas belas, só precisa ter inspiração e uma boa escrita. Foi com essa pessoa que ela descobriu um lado seu que estava oculto, um lado que ela nunca imaginaria que tinha, foi com essa pessoa que ela começou a se tornar uma nova mulher, uma mulher maravilhosa que conquistava a todos com sua simpatia e sinceridade. Uma mulher sábia que estava ao lado das pessoas que amava mesmo quando o mundo acabasse, uma mulher que iria lutar até o fim para encontrar essa pessoa e dizer um "Eu te amo" com seu coração transbordando de alegria e esperança.


O tempo passou para ela, se tornou uma escritora famosa. Uma escritora que doava parte de seu dinheiro para as pessoas pobres e que não fazia aquilo por reconhecimento, fazia aquilo porque gostava de ajudar, fazia aquilo porque ela já tinha tudo o que precisava. Tornou-se uma escritora de romance que transmitia seus sentimentos por palavras pinceladas com sabedoria, mesmo que tivesse pouca experiência de vida. Tornou-se uma escritora que no fundo ainda guardava o seu amor por aquela pessoa que naquele momento já deveria saber que ela existe. 


Até que um dia conseguiu o que queria, conseguiu olhar nos olhos dele, conseguiu sentir seu aroma, um aroma que queria sentir desde que era uma adolescente descobrindo o mundo. Conseguiu ver a maciez de seus cabelos agora negros e que antes eram loiros. Conseguiu ver que aquilo que via antes não era uma ilusão, para ela ele era perfeito mesmo com seus defeitos. Para ela ele parecia um anjo inalcançável e que agora estava frente a frente com um sorriso capaz de iluminar o universo. Ele por sua vez já sabia que ela escrevia sobre o que sentia e já sabia que aquele sentimento era dele, mas ainda assim queria ver seu singelo sorriso e ouvir de sua boca que ela o amava. Mesmo que ele nunca tenha a conhecido sentia uma certa ligação com ela, sentia o amor brotando de seu coração.


Eles estavam ali cercado por multidões que estavam esperando ansiosamente por aquele encontro, ela tirou um papel de sua pequena bolsa, sua letra era pequena e redonda, quase não dava para ler de longe. Ergueu o papel e se preparou: "Esperei muito tempo para realmente saber se te amava, até que um dia descobri sua mágica. Sua mágica que fazia meu dia se tornar o melhor dia de minha vida, mesmo que no fundo havia sido um inferno. Esperei muito tempo para finalmente te olhar frente a frente e sentir meu coração veloz como nunca havia sentido, esperei muito tempo para dizer que te amo e sempre te amei, e mesmo que você nunca me ame te amarei para sempre”. Ao terminar de ler podia ser visto lágrimas, pequenas lágrimas escorrendo por seus olhos que fitavam o chão, podia também ser visto seu sorriso tímido e seu rosto corado.


Ele como todos ali presentes sentia o amor brotando dela, sentiam o amor no ar, sentiam a alegria de um coração saltitante por finalmente ter se declarado. Ele também pegou um papel de seu bolso e leu em voz alta: "Eu já sabia disso, desde o dia em que li um texto que havia me mandado há muito tempo por uma rede social, eu sentia, eu sentia o amor brotando por suas palavras. E mesmo que eu não saiba como isto é possível, pode ter certeza que irei te amar”. Assim que terminou ela o abraçou com todas as suas forças, sentia seus corações batendo ao mesmo tempo em total sincronia, sentia que naquele momento estava completa e mais feliz do que sempre esteve. Aquele havia sido um dia inesquecível, um dia em que Deus havia sido realmente bom com ela, um dia em que ela finalmente demonstrou seus sentimentos. Um dia que ninguém ali presente iria esquecer.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Just The Way You Are♪

Postado por textosdaleka às 07:12 0 comentários
Conto baseado na música Just The Way You Are do cantor Bruno Mars, não sei se está bom, mas espero que gostem.
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Foto de: Jamili Jonas Editions!

Oh her eyes, her eyes
Make the stars look like they're not shining
Her hair, her hair
Falls perfectly without her trying
She's so beautiful
And I tell her every day

Estávamos apenas sob a luz do luar, só nós dois, sem problemas ou pessoas nos perturbando, aquele era um momento só nosso. Eu fitava seus olhos, como eu amava aqueles olhos, as estrelas nem pareciam brilhantes quando eu os fitava. Também amava seus longos cabelos sedosos, nunca entendia como ela conseguia ficar perfeita sem nem ao menos penteá-lo. Ah, como ela é tão linda! E sempre que posso digo isso à ela.

Yeah I know, I know
When I compliment her
She won't believe me
And it's so, it's so
Sad to think she don't see what I see
But every time she asks me do I look okay
I say

Não entendo porque sempre que eu a elogio, ela nunca acredita em minhas palavras. É tão triste saber que ela nunca verá o que eu vejo, sempre dizendo que está feia, sempre dizendo que está insatisfeita e sempre que ela pergunta se está bonita, eu sempre digo...

When I see your face
There's not a thing that I would change
'Cause you're amazing
Just the way you are
And when you smile,
The whole world stops and stares for a while
'Cause girl you're amazing
Just the way you are

"Quando eu vejo seu rosto, não há exatamente nada que eu mudaria nele, pois você é incrível do jeito que você é. E quando você sorri as pessoas param e ficam te olhando por um tempo, pois você é incrível do jeito que você é".

Her lips, her lips
I could kiss them all day if she'd let me
Her laugh, her laugh
She hates but I think it's so sexy
She's so beautiful
And I tell her every day

Comecei a fitar o rosto dela com mais intensidade naquele momento, reparei em seus lábios, eu poderia beijá-los o dia inteiro se ela deixasse. Sem nem ao menos perceber, ela deu uma gargalhada, lembrei-me que ela odeia sua própria gargalhada, também não entendia.

Oh you know, you know, you know
I'd never ask you to change
If perfect is what you're searching for
Then just stay the same
So don't even bother asking
If you look okay
You know I'll say

Eu perguntei o porque da risada, ela apenas respondeu que eu parecia hipnotizado com alguma coisa, confesso que na hora fiquei sem graça, se ela soubesse que seus lábios me tiraram a concentração...

- Danilo, o que você mudaria em mim? - ela perguntou, fiquei surpreso com aquela pergunta, mas sempre me esqueço que ela é imprevisível. Ela continuava me olhando, esperando minha sincera resposta.

- Eu nunca mudaria nada em você, se a perfeição é o que você busca, apenas continue assim. - pude ver poucas lágrimas saindo de seus olhos, ela rapidamente me abraçou e me deu um beijo. E assim ficamos abraçados por um longo tempo, até que finalmente adormecemos juntos.



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Last Kiss.

Postado por textosdaleka às 17:45 0 comentários
Um conto baseado na música Last Kiss da banda Pearl Jam, não sei se ficou bom, mas espero que gostem.
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Oh where, oh where, can my baby be?
The Lord took her away from me.
She's gone to heaven so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.

Ele estava deitado em seu sofá lembrando daquela noite terrível. Daquela noite que lhe tirava o sono, daquela noite que lhe causava dor. Naquela noite Deus tirou dele a pessoa que ele mais amava, mas não podia fazer nenhuma besteira, pois sabia que nessa hora ela estava no paraíso apenas esperando por ele e assim que sua vida acabasse a veria novamente.

We were out on a date in my daddy's car,
We hadn't driven very far.
There in the road straight ahead,
A car was stalled, the engine was dead.
I couldn't stop, so I swerved to the right,
I'll never forget the sound that night.
The screaming tires, the busting glass,
The painful scream that I heard last.

Começaram a passar pequenos filmes daquele dia, pequenos filmes que lhe tiravam o sono, pequenos filmes que marcavam sua memória. E então começou a lembrar daquela noite terrível... Eles haviam saído para um encontro no carro do pai dele, não andaram muito e lá na estrada, bem na frente deles um carro estava enguiçado. Ele não conseguiu parar e então desviou para a direita, nunca iria esquecer o som daquela noite. O som de pneus cantando, os vidros estourando e o grito de dor que ouviu por último.

When I woke up, the rain was pouring down,
There were people standing all around.
Something warm flowing through my eyes,
But somehow I found my baby that night

Então ele acordou, a chuva caía do céu, como se estivesse em lágrimas... Havia muitas pessoas em volta deles, até que ele sentiu algo quente escorrer de seus olhos, mas de alguma forma conseguiu encontrá-la.

I lifted her head, she looked at me and said;
"Hold me darling just a little while."
I held her close I kissed her - our last kiss,
I found the love that I knew I had missed.
Well now she's gone even though I hold her tight,
I lost my love, my life that night.

Ele levantou sua cabeça levemente, ela olhou para ele e disse para abraçá-la por algum tempo. Ele a abraçou forte e a beijou, um beijo doce e cheio de sentimento e que infelizmente aquele era seu último beijo. Ela havia ido embora, mesmo ele a abraçando com todas as forças, ele perdeu seu amor naquela noite e aquilo nunca iria ser esquecido.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Final feliz;

Postado por textosdaleka às 14:33 1 comentários

“Lembro-me do dia em que comecei a escrever, escrevia coisas engraçadas e sem noção, escrevia quando não tinha nada para fazer, usava as palavras de modo feio, escrevia errado e usava muitas vírgulas, não esquecendo dos acentos nos lugares errados. Escrevia coisas bobas e não passava nada de interessante. Até que finalmente te vi pela primeira vez, aconteceu algo maravilhoso, algo que não havia sentido antes. Não senti meu coração veloz, o senti calmo, puro e sereno, senti como se já te conhecesse e te amasse antes de tudo.

Você me fez conhecer um lado que não conhecia, um lado que as pessoas adoram: fofo, romântico e carinhoso. Você me fez sentir o prazer de escrever, com você aprendi a usar palavras belas e românticas, aprendi a passar meus sentimentos pelas palavras, com você pude amadurecer e ter os pés no chão.

Agora você está na minha frente, me fitando com olhos curiosos tentando descobrir o que estou escrevendo e quando ninguém perceber vou deixar este pedaço de papel em baixo de seu copo e quando você começar a ler vou sair deste local, pois sei que nunca irá sentir isto que sinto, mas quero que saiba que sairei com lágrimas nos olhos, lágrimas que não serão de tristeza, lágrimas de felicidade, também levarei um sorriso em meu rosto. Tudo isso porque finalmente terei dito por palavras tudo o que guardei durante 10 anos.”

Ele havia terminado de ler a pequena e não tão pequena carta, ele estava sentindo. Estava sentindo um amor, um amor puro e singelo que ninguém havia sentido por ele. Seus olhos se encheram de lágrimas e percebeu uma pessoa saindo daquela sala com lágrimas, ele rapidamente se levantou e a abraçou, ele sentiu suas lágrimas molhando levemente sua roupa, sentiu suas bochechas tocar seu rosto e sentiu seu sorriso. Sentia seus corações batendo em pura sincronia.

Ela passou seus braços em torno dele depois de algum tempo, querendo sentir o corpo dele junto ao seu, todos ali os olhavam, alguns com lágrimas, outros com um sorriso, eles emanavam o amor, mesmo que nunca tivessem vivido juntos.

Passado alguns anos, já estavam de casamento marcado e finalmente ela pôde ter seu final feliz, depois de tanto batalhar por um amor que sempre sentiu. Embora no fundo achasse que não merecia tudo aquilo, Deus havia sido muito generoso com ela e ela agradeceria todos os dias por isso.
 

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